sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

plena presença

em você
- pássaro imóvel
em pleno vôo -
grito silêncios
de "Eu Te Amos"
em pontilhados 
que saem
de meus olhos 
até te alcançar.

(não paro de gritar)

e a boca acompanha
o pássaro: imóvel,
até os pontilhados
virarem gotas salgadas
e depois
mar.

os olhos mudam
a boca muda
e o pássaro permanece

imóvel.



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                              pós leitura de Orides Fontela
                              qualquer semelhança não é mera 
                              coincidência!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

coisas universais - fragmentos

prepare-se!

não gosto de você
(você é só vc).
gosto de nós,
a sós.

e outra coisa:
não sou mística,
quase fui.
e vc: quase Divino.

esse íntimo
invadindo o mundo,
do quarto
(poema de dois lados).

duas esquinas 
se olham,
esperando (sem dizer)
o dia da 
revolução urbana.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Vincent: poema e filme

De uma angústia infantil, o espírito mórbido do menino, Vincent Malloy, q sonha em ser Vincent Price, se abranda pela beleza do poema. Vincent é um curta do poema, escrito e dirigido por Tim Burton.






Vincent

Vincent Malloy is seven years old
He’s always polite and does what he’s told
For a boy his age, he’s considerate and nice
But he wants to be just like Vincent Price

He doesn’t mind living with his sister, dog and cats
Though he’d rather share a home with spiders and bats
There he could reflect on the horrors he’s invented
And wander dark hallways, alone and tormented

Vincent is nice when his aunt comes to see him
But imagines dipping her in wax for his wax museum

He likes to experiment on his dog Abercrombie
In the hopes of creating a horrible zombie
So he and his horrible zombie dog
Could go searching for victims in the London fog

His thoughts, though, aren’t only of ghoulish crimes
He likes to paint and read to pass some of the times
While other kids read books like Go, Jane, Go!
Vincent’s favourite author is Edgar Allen Poe

One night, while reading a gruesome tale
He read a passage that made him turn pale

Such horrible news he could not survive
For his beautiful wife had been buried alive!
He dug out her grave to make sure she was dead
Unaware that her grave was his mother’s flower bed

His mother sent Vincent off to his room
He knew he’d been banished to the tower of doom
Where he was sentenced to spend the rest of his life
Alone with the portrait of his beautiful wife

While alone and insane encased in his tomb
Vincent’s mother burst suddenly into the room
She said: “If you want to, you can go out and play
It’s sunny outside, and a beautiful day”

Vincent tried to talk, but he just couldn’t speak
The years of isolation had made him quite weak
So he took out some paper and scrawled with a pen:
“I am possessed by this house, and can never leave it again”
His mother said: “You’re not possessed, and you’re not almost dead
These games that you play are all in your head
You’re not Vincent Price, you’re Vincent Malloy
You’re not tormented or insane, you’re just a young boy
You’re seven years old and you are my son
I want you to get outside and have some real fun.”

Her anger now spent, she walked out through the hall
And while Vincent backed slowly against the wall
The room started to swell, to shiver and creak
His horrid insanity had reached its peak

He saw Abercrombie, his zombie slave
And heard his wife call from beyond the grave
She spoke from her coffin and made ghoulish demands
While, through cracking walls, reached skeleton hands

Every horror in his life that had crept through his dreams
Swept his mad laughter to terrified screams!
To escape the madness, he reached for the door
But fell limp and lifeless down on the floor

His voice was soft and very slow
As he quoted The Raven from Edgar Allen Poe:

“and my soul from out that shadow
that lies floating on the floor
shall be lifted?
NEVERMORE…”

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Um achado: Coletânia de Poetas na Baixada

Em meio as provas da faculdade, as 300 montagens de coreografias, relatórios, questionários, grupos de pesquisa, papeladas do estágio para assinar em mil vias – uma em cada ponto do planeta, seminários, aulas assassinadas, dentes brigando por espaço, um calor cheirando a enxofre, amores (im)possíveis, manter-se alimentada e hidratada, chegou às minhas mãos uma coletânea do Fanzine Desmaio Públiko dos anos 90 de Poetas na Baixada (da Baixada Fluminense), organizada por Moduan Matus – poeta iguaçuano que já tem publicado mais de 17 títulos. Me (auto-sic, se é que isso existe!) surpreendi logo na primeira página, logo em seguida me surpreendi por ficar surpresa, talvez pela descoberta de um certo preconceito que me foi injetado – e que estou me tornando imune. Preconceito esse que me fazia não esperar que os poetas da região não corresponderiam às minhas exigências de leitora – bem pretenciosas, por sinal. Mesmo sem chegar a um conceito, as duas primeiras páginas já desmistificaram o preconceito. Vi  na poesia de Eud Pestana, uma sobriedade observadora (que tanto admiro nos poetas) mesmo quando o assunto é desesperador, um contemplar crítico e moderado pelos versos curtos (que vão predominar também nos outros autores do livro) e o conteúdo na medida que as reflexões fazem necessárias. Com uma dose de humor sofisticado, Eud abre a coletânea que me foi indicada para uma leitura quase-obrigatória, mas que foi para a cabeceira, junto aos livros agradáveis que leio porque quero e para descansar dos outros.


terça-feira, 13 de setembro de 2011

verde no pé

vi
ad
mirei
atirei:
sorri.

te
vi:
e q óbvio:
absorvi.

sem entender:
te pertencer

parti
não deixei
nada de mim,
só vontade


 


saudade.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

setas

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(...)

digo: sou:
papel eletrônico branco,
teclas,
dedos ágeis
(quase acompanham o pensamento),
articulações
e matéria imaginativa.


sou
metapoema,
poema cometa.


explícito reflexo-desalinho
natural de ser.


sou: uma tentativa,
automatismo domado
pra ficar bonitinho
parecendo displicente







.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

coordenadas

.



no silêncio, a folha branca.
na palavra, a fagulha.








.

previsão do tempo

.





... contou a ele o que sentia e tentou medir em
palavras a importância dele para sua vida, com
ar alegre. Ele se emocionava. Sorrindo, ela 
refletiu: "Parece uma despedida". E era.







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quinta-feira, 21 de julho de 2011

domingo, 17 de julho de 2011

desconstelação

















um retrato de tantos formatos

em fragmentos, 
mostra a forma de ocultar

numa tentativa de se ver:
se perde
e fica cego de espelhos

(sujeitos.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

novos tempos

o anúncio era de um dilúvio.
vieram uma, duas lágrimas.


( não se chora mais como antigamente...

terça-feira, 14 de junho de 2011

coquetel de inauguração

 .






aproveita a folha branca
pra respirar.



olha essa fonte, olha os vazios,
dê f11.




um labirinto sem paredes,
pra se perder.




você








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