segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Um achado: Coletânia de Poetas na Baixada

Em meio as provas da faculdade, as 300 montagens de coreografias, relatórios, questionários, grupos de pesquisa, papeladas do estágio para assinar em mil vias – uma em cada ponto do planeta, seminários, aulas assassinadas, dentes brigando por espaço, um calor cheirando a enxofre, amores (im)possíveis, manter-se alimentada e hidratada, chegou às minhas mãos uma coletânea do Fanzine Desmaio Públiko dos anos 90 de Poetas na Baixada (da Baixada Fluminense), organizada por Moduan Matus – poeta iguaçuano que já tem publicado mais de 17 títulos. Me (auto-sic, se é que isso existe!) surpreendi logo na primeira página, logo em seguida me surpreendi por ficar surpresa, talvez pela descoberta de um certo preconceito que me foi injetado – e que estou me tornando imune. Preconceito esse que me fazia não esperar que os poetas da região não corresponderiam às minhas exigências de leitora – bem pretenciosas, por sinal. Mesmo sem chegar a um conceito, as duas primeiras páginas já desmistificaram o preconceito. Vi  na poesia de Eud Pestana, uma sobriedade observadora (que tanto admiro nos poetas) mesmo quando o assunto é desesperador, um contemplar crítico e moderado pelos versos curtos (que vão predominar também nos outros autores do livro) e o conteúdo na medida que as reflexões fazem necessárias. Com uma dose de humor sofisticado, Eud abre a coletânea que me foi indicada para uma leitura quase-obrigatória, mas que foi para a cabeceira, junto aos livros agradáveis que leio porque quero e para descansar dos outros.


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